Vaz, António Manuel Martins

A desmaterialização e o efeito do intangível sobre a sustentabilidade do consumo global de materiais / António Manuel Martins Vaz. - Covilhã : Universidade da Beira Interior, 2018. - XXIV, 406 p. : il. ; 30 cm.

Dissertação apresentada à Universidade da Beira Interior para a obtenção do grau de Doutor em Engenharia e Gestão Industrial, sob a orientação de Devezas, Tessaleno Campos e co-orientação de Silva, Abílio Manuel Pereira da.

Contém referências bibliográficas (p. 355-406) e índice.

A presente investigação pretende esclarecer se a interação multidisciplinar
estabelecida entre as atividades económica, industrial e o consumo global de recursos naturais
são compatíveis com um desenvolvimento sustentável.
Em primeira instância procedeu-se a uma metodologia quantitativa da evolução do
metabolismo global, examinando o consumo de um conjunto de materiais com aplicações
essencialmente industriais entre os anos de 1960 e 2015, com a finalidade de identificar alguma
tendência de desmaterialização/decoupling. Os resultados obtidos não permitem afirmar
perentoriamente que a sociedade está sob o efeito da “desmaterialização” mas entretanto,
ressaltaram algumas tendências que admitem algum grau de otimismo.
Para uma melhor compreensão do tema desenvolveu-se uma abordagem para
quantificar o esforço exigido pelos materiais ao longo do tempo para satisfazer uma
determinada necessidade (IEME – Individual Effort Material Economy), examinando
empiricamente a evolução das tendências quer do consumo dos materiais assim como dos seus
custos associados, a nível global e per capita face ao Produto Interno Bruto (PIB).
Posteriormente, procurou identificar-se qual o impacto dos materiais no meio ambiente
através de uma metodologia comparativa pela sua toxicidade, situação geoestratégica, risco
de oferta, entre outros. Salienta-se que alguns materiais são de extrema relevância podendo
funcionar como um elemento impulsionador ou retardatário para o desenvolvimento
tecnológico.
No quarto capítulo realizou-se um levantamento das empresas a nível mundial com
maior valor de mercado. Estas surgiram nas últimas décadas e difundiram-se de uma forma
transversal por toda a sociedade dando corpo a empresas TIC com uma crescente componente
intangível que aparentemente transportam o seu ADN para outras áreas de atividade. A
digitalização surge como fio condutor de uma linguagem universal e globalizada por toda a
cadeia de valor. Neste clima versátil e interativo, o valor reside com maior incidência na
interoperabilidade entre os produtos e os serviços, o material e o digital.
Neste contexto a indústria reconfigura-se numa nova tecnoesfera alicerçada em
ambientes ciber físicos, denominada como a quarta revolução industrial (Indústria 4.0). A
mudança tecnológica tende a transformar as fábricas digitais em espaços “inteligentes”,
descentralizados e otimizados face à transição de uma produção massificada para uma
customizada e personalizada, com os respetivos benefícios inerentes. Os novos ambientes
proporcionam inovações cada vez mais interativas, complexas e conectadas em que produtos e
serviços online se fundem em inovações híbridas e partilhadas, permitindo estabelecer novas
relações nos produtos como se de um contribuinte se tratasse, criando inclusivamente uma nova identidade.


Recursos naturais--Sustentabilidade.
Recursos naturais--Tendências de consumo--1960-2015.
Indústria--Tecnologia e inovação.
Design industrial--Desmaterialização.
Economia circular--Desmaterialização.